Tendências 2026: O Estado das Coisas e Uma visão de futuro do mundo
Chegou a hora de prever o futuro.
um pedido: leiam e comentem esse texto, mesmo que seja pra discordar. Só assim a gente cresce, compartilhando ideias!
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Fim de ano, é época de começar a cagar algumas regras e prever o futuro!
Trabalhar com marketing e negócios durante muito tempo me deu a habilidade de distanciar das coisas, dar um passo atrás, e tentar analisar as tendências. Pode ser que eu esteja 100% errado? Pode, claro.
Mas eu não faço previsões de futuro. Eu só tento trazer, de forma organizada, alguns padrões que estão aparecendo e o que esses padrões trazem de insight na minha cabeça.
Todo fim de ano gosto de estruturar alguns pensamentos e insights que já estão na minha cabeça há algum tempo, e gosto de prever o futuro comparando com estado atual das coisas.
Vamos começar?
Inteligência Artificial não é tudo isso que pintam, mas também não é só uma coisa passageira

Já tinha dito isso no meu livro antes e a IA só veio para ajudar nesse modelo: vivemos na época da produtividade. Mesmo antes da IA, nunca foi tão fácil ter acesso a produção em massa de um produto ou serviço. Com a IA, isso só se intensificou.
Por isso, a IA não é só uma fase: as aplicações vão existir, menos gente vai fazer mais coisa e isso, no longo prazo, gera coisas boas e ruins. Não vou discutir os aspectos sociais, porque não é meu objetivo aqui, vou tentar ver por um aspecto mais pragmático.
Nas coisas ruins, veremos cada vez mais uma desvalorização de alguns profissionais no curto prazo. No longo prazo, se esses profissionais se mantiverem ativos, só terão a ganhar. Esse, inclusive, é um aprendizado de outras ondas que existiram antes: quem se mantém fiel aos fundamentos do próprio trabalho, sai ganhando.
O aumento da produtividade sempre traz uma homogeneização das coisas. Fórmulas e Frameworks costumam ser os guias de decisões. Pra mim é aqui que mora a maioria das oportunidades.
Fórmulas e Frameworks só funcionam por um período de tempo e também permitem que você chegue até só a um determinado degrau. No modelo em que vivemos, chegar em um determinado degrau não é o bastante. E para criar novas Fórmulas e Frameworks, você sempre vai precisar inovar e ser criativo.
No geral, quem criou as Fórmulas e Frameworks antigos vai estar sempre na zona de conforto, recebendo as benesses de ter chegado naquela posição primeiro. No longo prazo, é insustentável viver o mesmo modelo over and over, sem inovação, sem algo novo para trazer mais resultado.
(daí um tanto de Black Friday com Acesso Vitalício explodindo, por causa disso)
O problema é que a IA gera uma dependência do pensamento. Quanto mais você terceiriza o seu pensamento, mais você abre mão da habilidade de pensar e criar. Além do que, a IA é, por causa da sua construção, um ser que é bom de interpolar e não de extrapolar. Ela nunca cria e inventa algo novo, ela sempre precisa se basear em algo existente.
Aliando essa necessidade de se livrar da dependência de pensamento e da extrapolação que só o ser humano é capaz de fazer, profissionais que realmente ainda consigam inovar e ser criativos terão um diferencial absurdo. Ou seja: se você só consegue entregar a mesma coisa que uma IA entrega (algo homogêneo, com Fórmulas e Frameworks prontos), você será substituído na lógica da produtividade e também perderá sua maior capacidade criativa. Mas, se você consegue:
pensar de maneira autônoma,
criar e inovar, além de extrapolar
Executar suas ideias
Você terá um futuro garantido.
No fundo minha tese é de que o outcome da IA vai ser tão igual a tudo, que não vai valer a pena a nível de crescimento. Só vai valer a pena a nível de fazer o básico, e o básico todo mundo vai ter feito já. Não haverá destaque. E destaque é importante.
O mundo real e físico vai ser cada vez mais valorizado

Num mundo cada vez mais conectado, a conexão no mundo real vai fazer cada vez mais sentido. E não falo só de conexões pessoa a pessoa, mesmo experiências solo serão valorizadas porque não envolverão tecnologia em todas as etapas.
Os indícios são vários: A geração que nasceu conectada se distanciando cada vez mais da tecnologia, as gerações mais antigas sentindo falta de experiências menos digitais, o mundo pós-pandemia valorizando a vida real.
Nossa dependência de telas vai ser cada vez menor. Pelo menos nós tentaremos ser menos dependentes. E nossos padrões de consumo no mundo real vão cada vez mais aumentar.
Minha aposta é que ações que envolvam o mundo real ou que promovam um senso de grupo, vão explodir. Veremos um mundo com mais ARGs, ações de ativação e volta com força do marketing de guerrilha.
Inclusive, por causa do aumento da produtividade, essas ações vão ficar cada vez mais acessíveis. E, quem tiver coragem e criatividade, vai aproveitar bastante esse hype, que deve durar uns bons anos.
Muito se fala de comunidade atualmente, mas acredito que vá ser diferente. Não é só pessoas se reunindo num ambiente virtual, mas sim se apoiando (pra mim, essa é a palavra chave do futuro de comunidades, apoio mútuo).
Pode ter um professor puxando, mas a comunidade vai se fazer crescer. Rituais e dogmas vão surgir dentro desses grupos. É um retorno também a eventos e confraternizações, trocas ao vivo. Tudo isso vai explodir nos próximos anos e não no modelo antigo, de um palestrante e momentos de networking (a Fórmula do passado), mas pequenos grupos, trocas francas e exclusividade.
Ninguém quer ter mil amigos, mas um pequeno grupo de 10 pessoas vai fazer brilhar os olhos no acesso.
Quando falo do mundo físico, também falo da produção de consumíveis e serviços: livros físicos, jogos, teatro, experiências interativas, restaurantes, tudo isso vai ganhar um novo escopo, maior e mais abrangente.
Acho que os grandes vencedores saberão aliar quando envolver tecnologia, mas sempre com a liderança das coisas reais.
Mesmo para produtos que envolvem uma tela (como videogames, séries e filmes) acredito que boa parte do apelo desses produtos envolverá um universo maior de interações. Interações com os autores, expansão de universo e trocas entre os fãs.
Existe muito espaço para experimentação aqui. Muitas hipóteses a serem testadas. Estou empolgado e otimista com esse mundo de interações do futuro.
O imperfeito é melhor que perfeito
Esqueça fazer tudo certinho desde o começo.
A verdadeira inovação e criatividade partirá da criação abraçando o imperfeito. É voltar a começar a fazer e ir iterando, evoluindo, mas sem ficar com aquela cara de múltiplos filtros e investimentos caros em equipamentos.
É a volta do analógico: fotografias, vinis, a busca de glitchs e bugs. Os memes feitos com colagens rápidas. Curadoria feita a mão, ao invés de um robô, que pode ter uma porrada de coisa que não serve para você, mas alguma coisa vai ser interessante.
Pra mim, os conteúdos UGC são o começo de um movimento que, daqui um tempo, vai trazer de volta os Zines e as revistas em pequenas tiragens.
O imperfeito tem um quê de exclusividade que vai ser imbatível. Todo mundo pode ter uma foto com filtro e editada hoje em dia. Mas nem todo mundo pode ter um momento vivido e registrado de maneira rápida, com suas imperfeições.
Um texto escrito a mão, como o meu, revisado por mim, vai ter escolhas estéticas diferentes de um texto pasteurizado gerado por IA. Vamos ficar cada vez mais craques em identificar isso.
E valorizar o imperfeito.
Criatividade e Storytelling serão duas das soft skills mais importantes da próxima década

Eu sou um grande defensor das duas, e posso estar meio enviesado, mas acredito que saber dominar a sua própria criatividade e saber contar boas histórias serão as skills mais importantes da próxima década.
Criatividade é processo, sistema e execução de botar ideias no mundo real.
Storytelling (Contação de Histórias) é saber botar os pensamentos em ordem, envolver as suas ideias em uma lógica que fica difícil de não acreditar.
As duas sempre andaram de braços dados, mas agora serão cada vez mais necessárias. No pequeno frame de atenção que um designer precisa ter para, num feed, captar a atenção, saber contar a história em um piscar de olhar é essencial.
Não é sobre ganchos ou coisas prontas. É sobre olhar para dentro, pensar o que funciona e o que não funciona pra você e se envolver com as próprias criações.
Uma nova geração de criativos e contadores de histórias está pra nascer e, para eles superarem as máquinas, terão que se agarrar ao lado humano. Só que, a única maneira de fazer isso é a prática. É a volta do tempo da Oficina prática, da mão na massa (de uma comunidade real e pequena que se apoie).
Espero contribuir para a construção dessa comunidade. Assim como espero que vocês também contribuam para isso, das suas maneiras.
O futuro é brilhante para nós. Exigirá muito trabalho duro e mão na massa, mas contaremos uns com os outros. Diferente dos últimos anos, estou otimista. Em breve chegará a era da Criatividade.
Eu já escolhi fazer parte. E você?
Com carinho❤,
Diogo Barreiras R. da Silva


